O marketing da novela Ronaldinho Gaúcho e seu segundo ato

Não se fala em outra coisa nos últimos dias no mundo do esporte. Desde que Ronaldinho Gaúcho deixou os treinos do Milan no Oriente Médio e desembarcou no Brasil imprensa, torcida e times vivem a expectativa de qual será o destino daquele que já foi considerado o melhor jogador do mundo e hoje busca por uma ressureição em sua terra natal.

Assis, seu irmão e empresário, negocia abertamente com Flamengo, Palmeiras e Grêmio. Boatos dizem que o Corinthians também está no jogo. Mas o que temos nesta novela toda é justamente aquilo que uma boa história pede: mocinho (Ronaldo), vilão (Assis), suspeitos (times), coadjuvantes (torcedores), suspense, mudanças de rumos, boatos, nervosismo… e muito marketing. Afinal, quer ver o consumidor envolvido com a sua marca? Conte uma boa história, daquelas em que o espectador realmente se sente parte dela, se possível, permita mesmo que ele faça parte.

O anúncio de hoje, programado para as 15 horas no luxuoso hotel Copacabana já lembra a estratégia usada pela equipe do astro da NBA LeBron James, quando no dia 8 de julho passado, em entrevista exclusiva e anunciada com pompa durante dias pela ESPN, ele declarou que seu novo time seria o Miami Heat. A ação, que também foi rodeada de muito suspense, ganhou até nome, “The Decision”, e ganhou espaço na história do marketing esportivo pelo ineditismo.

Mas a maneira como LeBron conduziu a sua transferência de equipe foi muito criticada também. Afinal, é preciso lucrar até nesta hora? O índice de rejeição do atleta aumentou nos meses seguintes e a Nike teve que lançar uma campanha emergencial para proteger seu patrocinado e uma das principais marcas de tênis. Como sabemos, depois de um começo abaixo do esperado pelo Miami Heats, LeBron retomou a confiança e vem fazendo grandes partidas. E este é o ponto: jogar bem. Graças a isso os produtos com a marca Lebron já estão entre os mais vendidos e até seu aniversário ganhou um plano de marketing.

Depois de todo o cenário montado por Assis e Ronaldinho é hora de pensar no segundo ato. Jogador de futebol não é um produto de decoração, precisa funcionar. A marca Ronaldinho só tem o apelo e a força que conhecemos por causa do seu desempenho em campo (longe de ser um “rostinho bonito”, mas até no caso dos galãs como Cristiano Ronaldo, Beckham e Kaká, eles só são ídolos porque também tem um desempenho muito bom em campo).

A escolha de Assis deve passar por este ponto, toda esta história precisa de uma continuação, até porque a maioria das propostas estão fundamentadas em parcerias de marketing e no marketing, como sabemos, o resultado é muito importante (ou o mais importante).

Ronaldo chegou, jogou muito e ganhou dois títulos com o Corinthians e trouxe diversos patrocinadores. Adriano foi fundamental para a conquista do Brasileiro de 2009 do Flamengo e do recorde de vendas de camisas da Olympikus e Robinho levou a Copa do Brasil de 2010 e o dinheiro da Seara para Santos. Investimento feito e justificado. Agora é com você, Ronaldinho.


(TEXTO PUBLICADO NO DIA 06/01/2011 NO PORTAL TERRA PELO PUBLICITÁRIO FÁBIO KADOW).
http://jogodenegocios.blog.terra.com.br/2011/01/06/o-marketing-da-novela-ronaldinho-gaucho-e-seu-segundo-ato/

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